segunda-feira, 14 de junho de 2010

Equipe do Fantástico fica a poucos metros de um tornado

Acredita-se que o principal fator pra formação de um tornado é o encontro de ventos com velocidades e temperaturas diferentes, que provocam uma reação violenta no interior da nuvem.
Depois de enfrentar ventanias terríveis e tempestades de gelo, nossos repórteres chegam a poucos metros de um tornado. Veja na reportagem de Rodrigo Alvarez e Luiz Cláudio Azevedo. Sair à caça deles é como procurar uma agulha num país inteiro. Atravessamos seis estados americanos. Foram 6.115 quilômetros de estrada, oito dias de pouco descanso e muita trovoada.
Na chegada ao Colorado, a placa do aeroporto alerta, a ventania anuncia e o nome de guerra do nosso guia nos dá ainda mais confiança: Tim Tornado, há 15 anos na cola dos tornados.
Paixão? Tempestades. Filosofia: "Depois que você vê o primeiro tornado você fica viciado", afirma o guia. E uma promessa: "A gente vai direto pra tempestade mais perigosa para ver o tornado”, comemora Tim.
São 400 quilômetros de Denver, no Colorado, até Alliance, no estado de Nebraska. Nas planícies do meio-oeste americano acontecem mais de mil tornados por ano e meteorologia prevê uma grande chance para nossa estreia: 30% de probabilidade. Quando nos aproximamos da primeira tempestade. Tim Tornado cumpre a promessa.
"Aquela nuvem ali está tentando formar um tornado, temos que tomar muito cuidado", alerta o guia que volta correndo para checar informações do radar. E os caçadores de tornados são agora presa fácil pra tempestade enfurecida. Pouco depois, surge a primeira imagem do que se poderia chamar um tornado.
Rumo ao sul, mais 410 quilômetros até Goodland, no Kansas. E uma rara surpresa: dois tornados ao mesmo tempo. Os dois tornados vistos de longe são o sinal de que na região existe uma grande tempestade.
Mas quando chega a noite, os ventos se acalmam e a aventura fica pro dia seguinte. Cerca de 350 quilômetros depois... Nas planícies no planalto do Colorado, um quase-tornado. Nuvens gigantes e em forma de cogumelo são conhecidas pela ciência como super-célula. Viajam desgarradas do resto da tempestade e, o mais importante, girando... numa espiral que parece infinita.
Acredita-se que o principal fator pra formação de um tornado é o encontro de ventos com velocidades e temperaturas diferentes, que provocam uma reação violenta no interior da nuvem. Mas porque eles se formam em menos de 1% dessas nuvens gigantes? Porque só é possível prevê-los 13 minutos antes de sua formação?
"Há muitas tempestades que parecem estar a ponto de produzir um tornado, mas isso não acontece", explica Josh Wurman, diretor do projeto Vortex.
"Deve haver algo no ambiente que interrompe a formação do tornado. Será que o ar lá embaixo esta muito frio? Muito quente? Tem muito vapor? Pouca chuva? Ainda não sabemos”, ele conclui.
O projeto Vortex é a maior pesquisa científica sobre tornados da história. Ele viaja os Estados Unidos atrás de super-nuvens. Cento e vinte pesquisadores no campo de batalha.
As equipes dispõem de câmeras de alta-definição. São 12 radares para entender os movimentos atmosféricos. Mas o raro fenômeno se esconde até da ciência.
Foram mais três dias de estrada, belíssimas paisagens e até o momento nenhum tornado. Mas ganhamos nova companhia.
O roqueiro Jeremy Dawson é tecladista de uma banda de rock. Ele convidou os amigos e, temporariamente, trocou o teclado pelos tornados.
Já Andy Gabrielson, de 23 anos, caçador de tornados profissional. Ele leva dois assistentes para ir atrás das tempestades.
O tornado quase se forma, mas a super-nuvem avança pela planície. E quando a gente menos espera, com o carro na estrada, seguindo a super-nuvem, o mistério finalmente despenca diante de nós. Não há a menor dúvida: um tornado se forma à frente. Ele toca o solo no momento em que a equipe se aproxima.
É um momento impressionante, um momento raro da natureza. Uma grande ventania é provocada pela passagem do tornado.
Depois de 15 minutos de espetáculo, o tornado começa a desaparecer. Na sequência, começa uma chuva de granizo. Cai uma forte geada. São pedras grandes de gelo, fica até difícil continuar. O vento aumenta, derruba nossa câmera. E quase leva a porta do carro.
Às 19h, no estado americano do Colorado, o segundo tornado começa a pouquíssimos metros. É um dia incrível, porque a previsão do tempo falava que não haveria tornados a probabilidade era mínima: 2%, nem aparecia nos relatórios meteorológicos. Quando o novo tornado termina, a gente reencontra os roqueiros. "Senti muita adrenalina", revela Jeremy Dawson. "Foi tão assustador!", confessa Lauren Fortner. "Inacreditável, um dos melhores dias da minha vida", diz Floris Girman. Sem dúvida: um show da natureza, um dia pra nunca mais esquecer.
Fonte: G1.com
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