domingo, 23 de maio de 2010

O ciclone que espalhou danos do Chile ao Brasil

A semana que está terminando, como antecipava a MetSul Meteorologia, seria marcada por um vórtice ciclônico em médios e altos níveis da atmosfera que daria origem a um ciclone extratropical. O sistema veio, como se temia fez estragos, e agora se afastou para a costa do Sudeste, onde voltou à condição de vórtice em altura.

Por onde o sistema meteorológico passou ele deixou suas marcas, muitas indesejáveis. Pela terceira semana seguida um vórtice ciclônico originado no Pacífico cruzou os Andes e chegou ao Sul do Brasil, convertendo-se em ciclone extratropical e produzindo muitas águas.

Os maiores problemas associados ao centro de baixa pressão ocorreram no Norte do Chile e no Sul do Brasil. Na quarta-feira, impressionava a imagem de satélite, diga-se rara de ver, mostrando o sistema cobrindo grande parte do Sul do país e impulsionando ar frio para o Norte, o que rendeu a tarde mais fria até agora no ano no Oeste da Região Sul com marcas abaixo de 10ºC em vários locais.

Durante sua passagem pelo Norte chileno, a "baixa fria" em altura produziu eventos extremos na desértica região do Atacama com chuva forte que provocou alagamentos e até desabamentos de estradas e pontes. O aguaceiro deixou centenas de desabrigados e danos materiais nas comunidades. Nevou muito forte no deserto e em algumas áreas o fenômeno não era testemunhado há cinco anos.

Na sua passagem pela Argentina, os efeitos foram benignos. Ao contrário, o sistema deu espetáculo à medida que cobriu as serras de Tucumán, como mostram as imagens de Guillermo Caliari/Gaceta de Tucumán e de Cristofer Brito.

Ao chegar no Sul do Brasil, problemas. O ciclone trouxe chuva extrema para Florianópolis e o Litoral Norte gaúcho no final da terça-feira e primeiras horas da quarta-feira. A área de Tramandaí foi a mais afetada no Rio Grande do Sul com 167,6 milímetros, sendo 129,8 milímetros em apenas em três horas. Só entre 23h de terça e 0h de quarta foram 65,6 milímetros. Foi o segundo aguaceiro do ano em Tramandaí. No dia 8 de fevereiro tinham sido anotados 56 milímetros em uma hora. Outros balneários, como o vizinho Imbé, também foram castigados pela chuva. O aguaceiro da noite de terça para quarta deixou os moradores espantados e os danos foram inevitáveis, assim como relevam as imagens de Pedro Revillion/Correio do Povo e da Prefeitura de Imbé.

Em Santa Catarina, a chuva levou calamidade a algumas áreas da Grande Florianópolis. As precipitações foram torrenciais e com enormes e espantosos volumes em curtos períodos, o que trouxe muitos danos, agravados pelas rajadas de vento de até 80 km/h. A noite de terça para quarta acabou sendo de caos na Grande Florianópolis.

Na área de Florianópolis, em apenas 24 horas, caíram 159 milímetros no Aeroporto Hercílio Luz e 255,8 em São José, mais que o dobro da média do mês. Em São José, foi o maior volume de chuva já anotado em 24 horas em maio e o segundo mais alto de toda a série histórica da estação iniciada em 1911, conforme a nossa parceira Climaterra de São Joaquim. No local, em cinco horas, foram registrados 161 milímetros. Não se pode dizer, contudo, que tenha sido a maior chuva em Florianópolis desde 1991, uma vez que em dezembro de 1995 estações na ilha registraram acumulados até superiores a 500 milímetros em pouco mais de 24 horas. Tamanho volume de chuva provocou inundações e deslizamentos de terra na quarta-feira na Grande Florianópolis (fotos do governo de Santa Catarina).

E, acreditem, pode vir mais. Os modelos sugerem um outro sistema de baixa em altura avançando dos Andes para Leste agora no começo da semana, mas desta vez avançando mais pelo Sul em direção ao Uruguai, mas que, mesmo assim, traria chuva para o Rio Grande do Sul e o Sul do Brasil. Não será surpresa, apesar de prognóstico de modelo de até 10 dias antes não ter confiabilidade, se o ingresso de ar mais gelado ao redor da virada do mês vir acompanhado de um ciclone na costa do Sul do Brasil ou no Prata.

Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 21/05/2010 00:24
Fonte: Direto da Metsul
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