sábado, 10 de abril de 2010

Tragédia das chuvas pode ter deixado até 350 mortos no RJ, dizem autoridades

Rio de Janeiro, 9 abr (EFE).- As autoridades do Rio de Janeiro tomaram hoje as primeiras medidas para prevenir que ocorra uma nova tragédia produzida pelas chuvas, como a enfrentada nos últimos dias que pode ter deixado até 350 mortos, segundo cálculos do Governo estadual. Até o momento foram confirmados 212 mortos após os deslizamentos de terra causados pelo temporal desta semana. O governador do Rio, Sérgio Cabral, declarou à imprensa hoje que as equipes de resgate buscam cerca de 150 desaparecidos no Morro do Bumba, em Niterói, onde houve um grande deslizamento na noite de quarta-feira. "São cerca de 100 a 150 corpos, segundo o pessoal dos bombeiros me passou. É uma situação totalmente estarrecedora", disse Cabral. Apenas em Niterói foram contabilizadas 132 mortes, além de 60 na capital, 16 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Magé. Da montanha de terra e lixo que cobriu pelo menos 50 casas no Morro do Bumba, um antigo depósito de lixo, já foram retirados 27 corpos, afirmam os bombeiros. Enquanto as escavadeiras trabalham dia e noite e sob chuva intermitente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou medidas taxativas para pôr ponto final aos recorrentes deslizamentos de terra em épocas de chuva. A Prefeitura publicou hoje um decreto que declara mais de 100 áreas afetadas por deslizamentos de terra em situação de emergência. Isso permite a remoção dos moradores dessas áreas sem o consentimento deles, inclusive com o uso da força, se necessário. Após uma reunião de emergência, Paes assegurou hoje que a Prefeitura já elaborou um mapa apontando as áreas de risco prioritárias, ou seja, as que têm chances maiores de sofrer deslizamentos. Na semana que vem, as autoridades municipais discutirão a aplicação pontual dessas intervenções que, na prática, devem representar o despejo de milhares de pessoas em 33 bairros cariocas. Na última terça-feira, Paes e Cabral não hesitaram em culpar os Governos anteriores por não tomarem medidas para evitar a ocupação de áreas de risco. Alguns desabrigados foram abrigados em escolas, ginásios de esporte e centros de assistência social. Paes avisou que, caso os moradores se oponham aos despejos, ordenará o uso da força pela Polícia, o que representa uma mudança radical em relação à política aplicada no tratamento aos bairros pobres. Em Niterói, a Defesa Civil fechou de maneira provisória outro antigo depósito de lixo, o Morro do Céu, depois que foram registrados hoje dois deslizamentos de terra que causaram pânico entre seus habitantes. Nas últimas décadas, os Governos estaduais optaram por não remover as favelas, mas ofereceram alguns serviços básicos às populações, o que acabou por legitimar as construções irregulares. Na última terça-feira, Paes e Cabral não hesitaram em culpar os Governos anteriores por não tomar medidas para evitar a ocupação de áreas de risco. Ao visitar o Morro do Bumba nesta sexta-feira, Cabral afirmou que "a responsabilidade é de todos nós". "A gente não pode pensar que direitos humanos e ordem pública são coisas contraditórias", afirmou o governador. "Isso foi uma grande alerta, uma demonstração de que é necessário tomar ações para impedir as ocupações irregulares", disse o governador. Antes da catástrofe desta semana, o estado do Rio já tinha vivido uma tragédia similar na virada de 2009 para 2010, quando dois deslizamentos mataram 53 pessoas em Angra dos Reis. Delas, 21 eram moradoras de uma favela construída em uma encosta, e o restante, turistas que passaram o Ano Novo em um hotel no pé de um morro na Ilha Grande. As dimensões dos atuais deslizamentos são muito maiores, o que responde às intensas chuvas que caíram entre segunda-feira e terça-feira no estado do Rio, as mais fortes em quatro décadas, segundo serviços meteorológicos. A Defesa Civil estadual informou que 161 feridos foram atendidos em hospitais e outras 31,5 mil pessoas tiveram que abandonar seus lares. Além das cerca de 150 pessoas soterradas em Niterói, pelo menos outros sete moradores do Morro dos Prazeres, na região central do Rio, estão desaparecidos desde segunda-feira. EFE
Manuel Pérez Bela - Fonte: G1
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