quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

MetSul divulga seu boletim de tendência para a temporada de furacões 2008

Um dos prognósticos mais difíceis em Meteorologia é antecipar o comportamento de uma temporada de furacões do ano seguinte no Atlântico Norte, especialmente considerando que esta é a região com maior variabilidade interanual dentre todas que apresentam atividade de ciclones tropicais no mundo. Muitos afirmam que as tendências de temporada de furacões não se revestem de qualquer confiabilidade, mas existem parâmetros científicos que podem sugerir um determinado comportamento. O Weather Channel adota a política de não formular previsões, mas organizações como o NOAA, a Universidade do Colorado e a empresa norte-americana AccuWeather divulgam suas tendências. As duas últimas apresentam as suas previsões pouco meses antes do começo da temporada em 1º de junho, mas a equipe de William Gray e Philip Klotzbach divulgam seu primeiro prognóstico ainda em dezembro do ano anterior. A MetSul Meteorologia, em dezembro de 2006, um dia antes da divulgação do prognóstico da Universidade do Colorado, antecipava para o ano de 2007 um total de 14 tempestades, 7 furacões e 3 intensos. No final, 2007 deve terminar com 15 tempestades, 6 furacões e 2 intensos. A primeira experiência da MetSul Meteorologia, assim, mostrou-se satisfatória na antecipação da tendência para o ano seguinte. Repetimos agora a experiência meramente por experiência e desejo de melhoramento profissional, afinal estas projeções estão sujeitas a uma grande margem de erro. Como diz a Universidade do Colorado quanto ao seu prognóstico, ele é divulgado "para satisfazer a curiosidade do público e chamar a atenção para o problema dos furacões". A MetSul Meteorologia, ao contrário da Universidade do Colorado que desenvolveu um modelo estatístico para as suas previsões, faz uma análise estatística média dos anos que considera análogos ao período atual pela sua semelhança nas condições globais atmosféricas, especialmente em face do Multivariate Enso Index (MEI) que é o mais amplo índice ENSO. Ponderamos ainda a fase da Oscilação Multidecadal do Atlântico, a tendência indicada pelos modelos para a temperatura do Atlântico Norte e a possível evolução do fenômeno La Niña assim como os análogos verificados a partir do comportamento do clima no Sul do Brasil nos meses que antecederam a divulgação desta tendência, conforme a interpretação da MetSul Meteorologia. Sob o ponto de vista estatístico, os anos análogos para fins de previsão da temporada de furacões de 2008 da MetSul Meteorologia são 1950, 1955, 1965, 1971, 1974, 1989, 1991, 1993 e 2000. Verificando-se a média destes anos chega-se ao número de 12 tempestades no ano, 6 furacões e 3 intensos. Ano Total Furacões Intensos 1950 13 11 8 1955 12 9 6 1965 6 4 1 1971 13 6 1 1974 11 4 2 1989 11 7 2 1991 8 4 2 1993 8 4 1 2000 15 8 3 Média 12 6 3 A Universidade do Colorado, em sua projeção agora de dezembro de 2007, considera cinco anos como análogos: 1953, 1956, 1989, 1999 e 2000. Observa-se, assim, que dois dos anos escolhidos pela CSU estão entre os análogos da MetSul: 1989 e 2000. Em nosso entender este dois anos são, de fato, fortíssimos análogos para se antecipar o que pode vir a ocorrer no Atlântico Norte no próximo ano. Quando do nosso primeiro prognóstico experimental em 2006 não contávamos ainda com o boletim da Universidade do Colorado como agora, mas dispondo da avaliação de Gray e Klotzbach é interessante avaliar a média dos análogos por eles escolhidos com os análogos sugeridos pela MetSul. A média final é de 11 tempestades, 6 furacões e 4 intensos. Ano Total Furacões Intensos 1950 13 11 8 1953 14 6 4 1955 12 9 6 1956 9 4 2 1965 6 4 1 1971 13 6 1 1974 11 4 2 1989 11 7 2 1991 8 4 2 1993 8 4 1 1999 12 8 5 2000 15 8 3 Média 11 6 4 Considerando-se exclusivamente os análogos sugeridos pela Colorado State University (CSU) tem-se 10 tempestades, 6,6 furacões e 3 intensos. Ano Total Furacões Intensos 1953 14 6 4 1956 9 4 2 1989 11 7 2 1999 12 8 5 2000 15 8 3 Média 10 6,6 3 Observe que nos três cenários de análogos (MetSul, MetSul + CSU e CSU) o número de furacões e de tempestades intensas (categoria 3 ou superior na escala Saffir-Simpson) é muito semelhante. A CSU, em seu prognóstico agora de dezembro, antecipa uma temporada pouco mais ativa que a média de 1950-2000 com 13 tempestades (média é 9,6), 7 furacões (5,9) e 3 intensos (2,3). A MetSul Meteorologia espera a continuidade do fenômeno La Niña em grande parte ou mesmo na totalidade do ano de 2008, sendo que historicamente o resfriamento das águas do Oceano Pacífico está associada a um número de tempestades acima da média. Por outro lado, o Atlântico encontra-se na sua fase positiva da Oscilação Multidecal (AMO), o que não redundou em temporadas ativas em 2006 e 2007 por terceiros fatores. Se estas condições (sinal negativo no Pacífico e fase positiva da AMO) são forçantes para uma temporada mais ativa, modelos de longo prazo indicam que o Atlântico Norte tropical pode apresentar anomalias negativas de temperatura em 2008, o que mitigaria ou mesmo anularia as duas condições anteriores. Um dos pontos de maior controvérsia em 2007 foi a classificação de fracas tempestades como sistemas tropicais ou subtropicais. Tempestades que receberam nomes dificilmente entrariam na estatística no período anterior à era dos satélites. Nesse sentido, como pelo menos uma ou duas tempestades desta natureza – identificadas somente por satélites – ocorrem a cada ano, a estatística que levamos em conta para a média dos nossos análogos possivelmente sofra uma distorção de pelo menos uma tempestade a menor por ano no período anterior à observação por satélites. Assim, diante do número de tempestades médio sugerido de 12 pelos análogos da MetSul e ponderando este fator, nosso número-alvo de tempestades a receberam nomes em 2008 é de 13. No tocante ao número de furacões, são fortes as evidências em todos os análogos apresentados (MetSul e CSU) de 6 tempestades atingindo este status. O mesmo ocorre em relação a furacões intensos em que há identidade de números em 3. Assim, nosso números-alvos (target) são 13, 6 e 3 em que seria razoável antecipar-se 12 a 14 tempestades, 5 a 7 furacões e 2 a 4 intensos. Onde consideramos maior a margem de erro para 2008 é no número de tempestades intensas que, em nosso entendimento, tem uma probabilidade maior de ser menor do que o indicado do que acima. Finalmente, considerando os nossos análogos, especialmente os que emprestamos maior relevo, 1965 e 1989, é razoável igualmente antecipar-se o risco de ao menos um furacão intenso atingir a área continental dos Estados Unidos assim como ocorreu com Betsy em 1965 na Louisiana e Hugo nas Carolinas em 1989, dois sistemas que trouxeram dezenas de mortes e prejuízos extremamente elevados. Eugenio Hackbart - 16/12/2007 00:41:14
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